8.9.12

Tal como as pessoas…


 
 Nós também perdemos folhas no Outono. Andamos felizes durante a Primavera, conhecemos folhas novas, criamos em nós muitos ninhos, nascem em nós muitas crias. É altura de sonhar, de imaginar futuros nobres e positivos. Mas assim que chegamos ao Outono, sinto em mim a mudança do verde para as cores quentes de tons vermelhos alaranjados. É como se as folhas já não me pertencessem, sinto que já não são parte de mim como eram, algo mudou nelas. Com mágoa, despeço-me porque, embora estejam diferentes e não as sinta minhas, em tempos criei com elas relações muito íntimas. Elas sabiam tudo sobre mim, desde o meu romance com o carvalho do parque, até aos pequenos musgos que se instalam perto das minhas raízes. Mas a verdade é que tenho de as deixar partir. Sinto o frio do Inverno a congelar todos os meus vasos de minerais, sinto-me vazia e sozinha, é como se não me sentisse viva, como se a minha dura casca se tivesse transformado nos doces e delicadas pétalas de flor. Sem dar por nada, pequenos rebentos surgem novamente, eu fico revitalizada, volto a criar amizades entre todas as minhas folhas e espero que pelo menos uma perdure e me ajude a ultrapassar o frio do Inverno.
(se fossemos árvores seria assim)

4 comentários:

Joana disse...

gostei muito do texto! talvez fossemos mesmo assim se fossemos árvores!

Maria João Cardoso disse...

// será que podes passar pelo meu blogue de fotografia e clicar no "gostei" se gostares das novas fotos? aproveita para votar na sondagem, obrigada (:

Ana Gil disse...

Segui (:

Parede Escrita disse...

Gostei muito do texto :)